Advertisement
Principal
07 de setembro de 2010
 
 
Mercado Interno

Red Fish lança programa de venda e distribuição para o mercado interno.
Menu Principal
Principal

PORTUGUÊS
ENGLISH
ESPAÑOL
Contactar / Contact

Buscar / Search
Links
Notícias / News

RECEITAS
CHARGES
Pesca controlada da lagosta é ameaçada por falta de recursos por Rodolfo Spinola Imprimir E-mail

Pesca controlada da lagosta é ameaçada por falta de recursos por Rodolfo Spinola
 Fonte: ©Agência Estado.AedataAE, 25-12-1993
 

PESCA CONTROLADA DA LAGOSTA É AMEAÇADA POR FALTA DE RECURSOS Por Rodolfo Spinola

FORTALEZA, 25 (AE) - É muito grave a situação da pesca de lagostas no Nordeste, especialmente no Ceará, por onde passam mais de 80% de toda a lagosta produzida no Brasil. O pior é que as autoridades responsáveis pelo setor - o Ibama - conhecem muito bem o problema, mas por falta de recursos de pessoal e material e de conhecimento cientifico e tecnológico, o setor experimenta uma grande sensação de desorganização e abandono. O mais revoltante é que "o segmento tem tudo para se transformar num dos principais e importantes pilares da economia nordestina, mas infelizmente toda a política da pesca para essa região é decidida em gabinetes refrigerados em Brasilia".

O desabafo é do presidente do Sindicato dos Pescadores do Ceará, Wilson Gonçalves ao revelar que "a conseqüência desse abandono serve exclusivamente para estimular a pesca clandestina e predatória, colocando em risco a atividade". Segundo Gonçalves, "a falta de apreço do setor público tem provocado o sucateamento da frota industrial, com a involuçao na tecnologia aplicada na captura e conservaçao a bordo". O resultado disso mostra nitidamente a queda na qualidade do produto final, ou seja, "a lagosta capturada há 20 anos atrás, apresentava melhor padrão sanitário que a capturada hoje".

Apontado como o maior e mais moderno parque pesqueiro das regiões norte e nordeste, avaliado em cerca de 400 milhões de dólares, o setor industrial pesqueiro do Ceará está parado "no ar", ante a impossibilidade de se investir na modernização ou melhoria das indústrias, quer por falta de crédito, quer pela insegurança que se instalou em todo o setor pesqueiro do País, confessou Gonçalves ao explicar que "nos dois últimos anos - 92/93 - a participação das pequenas empresas nas exportações sofreu uma redução de 48 por cento". Em relaçao a pesca predatória, o presidente do Sindicato dos Pescadores do Ceará informou que "por falta de uma fiscalização mais rígida das autoridades com petentes, a nossa situação é aflitiva, colocando em risco a preservaçao dos estoques atualmente existentes". Com dados levantados a partir de pesquisas, Gonçalves observou que "por esse clima de marginalizaçao do setor, o que vemos hoje é uma brusca reduçao do esforço de pesca legal, com apetrechos tecnicamente apropriados para a captura da lagosta - os covos ou manzuás -, enquanto amplia se o esforço clandestino. De 91 a 93, a frota que operava com manzuás decresceu em 12 por cento, enquanto o numero de barcos operando com caçoeiras - apetrecho altamentamente danosos para o "habitat" das lagostas, teve um aumento de 27 por cento".

- O absurdo que estamos percebendo é de conhecimento das autoridads responsaveis pela pesca no Brasil, no caso o Ibama, que permite faz vista gros sa ante tal anomalia, completou Gonçalves ao sustentar que "já permos as con- tas dos documentos e das denuncias que encaminhamos a Brasília sem nenhum re- sultado efetivamente positivo". A teimosia de o Ibama não permitir a substitui ção das embarcações nem sua propriedade nao reduz o esforço de pesca, mas impõe uma operação pesqueira com elevados custos. A titulo de exemplo, o presidentte do Sindicato dos Pescadores do Ceará disse que "qualquer barco que utilize 20 caçoeiras exerce esforço maior que a média dos barcos que operam com 300 manzu ás. Afirmando que a "nossa intenção é colaborar com as autoridades responsave- is pela fiscalização da captura da lagosta, afinal de contas o que queremos mesmo é ter estoques permanentes", Gonçalves reconheceu que "no atual estágio em que se encontra a pesca da lagosta no Ceará e no Nordeste, percebemos

que esse quadro serve de estímulo ã pirataria e a pesca clandestina". O presidente apontou ainda um outro fato que vem preocupando o setor: "por falta de fiscali zaçao, tanto no mar como em terra, a lagosta miúda está sendo transportada por caminhões frigoríficos para outros portos, como o de Tubarão, o de Santos, e até o de Paranaguã, onde não existe qualquer amparato de fiscalização.

Os números levantados pelo proprio Ibama, existem atualmente 3.103 embarcações em atividade no Estado, das quais 1.774 pescam utilizando a caçoeira, 557 pescam com compressoes e só 775 operam com equipamentos permitidos. O Ibama identificou ainda 43 pescadores capturando lagostas usando equipamento de mergulho, cercando-as em seu "habitat" com redes de malha fina. De janeiro de 91 para julho deste ano, foram fechadas seis empresas lagosteiras e, o mais grave, segundo Gonçalves "é o fato de em 1986 o setor proporcionar cerca de 300 mil empregos diretos e indiretos, enquanto esse numero, atualmente, não chega aos 200 mil". O triste fim da pesca lagosteira no Ceará pode ser vista a partir da idade média dos seus barcos que é de 27 anos e essa frota esta reduzida a quase a metade do que era há 15 anos.

A grande expectativa do setor pesqueiro cearense diz respeito as ex celentes perpectivas para a pesca do atum, que ocorre em abundancia em todo o litoral nordestino. Os empresarios do setor reclamam que nao tem conseguido os recursos financeiros para a construção de barcos, para impedir a presença per- manente de quase 300 atuneiros de grande porte dentro das 200 milhas. O Gover- no do Estado, através da sua Secretaria de Industria e Comércio tem um projeto para estimular a construção desses barcos, mas falta-lhe recursos. Numa primei ra etapa, segundo o secretario Antônio Balhmann, "estamos tentando formalizar "joint-ventures" com empresas espanholas e portuguesas. Estudos indicam que esses barcos piratas capturam facilmente mais de 100 mil toneladas de atum por ano, "volume esse que poderiam ser nosso", completou o presidente do Sindica- to dos Pescadores do Ceará. Num apelo direto ao presidente Itamar Franco, Wil son Gonçalves garante que "a nossa pesca, sendo vista de modo bem profissional e por alguem que tenha sensibilidade poderia, inclusive, minimizar os graves problemas de miseria de nossas populaçoes, alem de garantir a ampliação de mão de obra e produzir divisas em alimentos". A partir do dia 1 de janeiro, o Iba ma, atraves de uma portaria, vai suspender a pesca da lagosta em todo o lito- ral nordestino e parte da região norte, onde se pesca lagosta, durante quatro meses. Isso provocará a desmobilização de cerca de 200 mil pessoas, embora os pescadores clandestinos continuem a pescar com redes do tipo caçoeira, já que eles confiam na ineficiencia da fiscalização do Ibama. A pesca da lagosta esta rá suspensa para o "defeso" da espécie até o dia 30 de abril do próximo ano.